Quarta-feira, 2 de Setembro de 2009

Dívida consciente

Há muito que ando para opinar sobre vários assuntos, no entanto o tempo e a disposição não abundam nos dias que correm.
Um dos assuntos a que me refiro é a constante publicitação dos prejuízos dos hospitais EPE em Portugal.
Eu não sei que ideias correm nas cabeças pensantes dos governantes, gestores e cidadãos em geral quando se admiram com o prejuízo das entidades publico-privadas hospitalares. As universidades/escolas de gestão não descobriram a pólvora, nem me parece que façam milagres quando:
Os gastos dos monstros hospitalares com profissionais, material de uso diário e medicamentos, acrescentando outra imensidão de factura relacionada com a energia, manutenção informática, alimentação, lavandaria e diversas outras áreas são muito grandes.
A poupança potenciada por gestores normalmente gera-se onde se deveria tocar por último - os cuidados a cada utente - e onde se deveria racionar gastos a impotência na gestão permanece.
Um Serviço Nacional de Saúde (SNS) e um acesso aos cuidados de saúde em Portugal tendencialmente gratuitos, que mesmo assim ainda não consegue abranger a totalidade da população, resulta em receitas muito diminutas, comparando com as despesas.

Posto isto, vejo com algo cepticismo a "vontade" expressa por muitos de fazer da saúde nacional um negócio lucrativo, quando na minha opinião este só pode ser (nestes moldes, com os quais concordo em grande parte) menos dispendioso. No futuro, ainda com tendência para se agravar o défice da balança com o constante envelhecimento populacional.
No final...todos querem pagar o mínimo possível e receber os melhores cuidados, esquecendo-se que tudo isto custa, não só dinheiro mas esforço de muitas pessoas que para isso trabalham.

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