Confesso que já há bastante tempo que ando para aqui escrever algo. Mas vi-me e desejei-me até encontrar assunto para o qual "aparvalhar". Nem a queda da falésia (convém não brincar com tragédias), nem a Selecção Nacional (mais uma vez convém não brincar com tragédias), nem a pré-campanha eleitoral me tiraram da preguiça e da monotonia e me fizeram escrever umas palavras. Contudo, hoje, tudo mudou! E porquê? Por causa da Sra. Cristina Araújo. Se por acaso é leitora assídua deste blog, ou até mesmo se estiver de passagem, um grande bem-haja.
Mas... Dª Cristina, permita-me o descaramento de hoje falar da sua história. Presumo que não se importe, uma vez que leio a sua história precisamente num órgão de comunicação social, na edição online do jornal Expresso. Contudo, aviso-a desde já que não me limitarei a relatar a sua história mas sim a comentá-la da forma que muito bem me aprouver. Se por acaso a ofender, peço-lhe por favor duas coisas: em primeiro lugar, obviamente, peço desculpa; em segundo lugar, peço-lhe para que não ligue à PRISA e à Media Capital e não me feche o estaminé. Adiante!
Que tem afinal a Dª Cristina Araújo de especial. "Mãe de 3 filhos (...) passou por dois divórcios e uma viuvez". Ok. À partida pensam vocês, é azarada. Não discordo. Mas não foi isso que me chamou à atenção. Esta senhora - pasmem-se! - foi apanhada nada mais nada menos que 37 vezes a conduzir sem carta.
Azarada? Talvez! Ou então não. Diz ela: "Há duas coisas de que não prescindo: do carro e do telemóvel". Pois, está bem visto. Mas calma pois, segundo ela, conduz "melhor do que muitos encartados". Até pode ser que sim, nunca a vi conduzir mas, oh Dª Cristina, 37 vezes? É preciso ter-se muito azar, não? Ou então... (cala-te boca!)
"Tenho tido muito azar", diz ela ao Expresso. Cá está. Também me pareceu que sim. Eu cá acho que é preciso um azar do caraças para se chumbar 10 vezes no código e, mesmo assim, sem carta, andar a conduzir a 200 km/h na autoestrada ou então, fazer todos os dias um percurso de 80 km de carro. Depois , claro, 37 vezes! Ele há cada uma. É que é mesmo azar! Chiça. Uma pessoa, ali, certinha, a conduzir, sem levantar ondas a ninguém e, os senhores agentes da autoridade - mania que são mais que os outros - só porque, por azar (é não é?), uma pessoa não está legalmente habilitada a conduzir, pimba!, apanhada. Já foste. Multa e processo em tribunal. Uma, duas e três... e trinta e sete (!!!) vezes. Que azar!
Mas não se façam já falsos juízos de valor sobre a Dª Cristina. Ela até é uma mulher precavida. E mulher precavida vale por duas. Ora reparem: "trago uma manta na bagageira, caso seja apanhada. Assim, posso dormir no banco de trás". Sem comentários, acrescento eu. Está tudo dito.
Ai, desculpem-me, afinal não está tudo dito. É que hoje, a Dª Cristina vai ser julgada em Tribunal e, segundo o seu advogado, "é mais provável ser presa do que ser punida com trabalho comunitário". Nada de novo, portanto. É que já entre 2005 e 2008, a Dª. Cristina esteve presa devido, precisamente, a conduzir sem documentos. Enfim...
Ah! Já me esquecia. Adivinhem qual a primeira coisa que a Dª Cristina fez quando saiu da cadeia, em 2008? Isso mesmo! Conduziu do Porto até Lisboa, pela autoestrada, prego a fundo.
P.S. - Para provar que isto não faz parte da minha imaginação, deixo aqui, para vosso deleite, o link para a notícia no site do Expresso: http://aeiou.expresso.pt/apanhada-37-vezes-sem-carta=f534315
2 comentários:
Aí vão 38!
Na boa!
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